Monday, October 30, 2006

Réquiem de Julho

Quando a realidade parece onírica
Quando os pesadelos são reais
Quando o sim está perto do não e o não a qualquer momento pode nos aceitar...
Então chegamos no limite
Atravessar, cair e nadar ou simplesmente afundar.
É só um passo...
Quando a neve parece cercar tudo a nossa volta
Quando o pensamento congela num momento que ainda não aconteceu
Quando o que aconteceu perdeu-se no tempo
Quando o tempo se perdeu do espaço...
Quando não há mais espaço...
Então chegamos a lugar nenhum
Lugar nenhum
Quando a solidão se enfeita de festa
Quando a festa termina em solidão
Então, os beijos foram em vão?
Será que o amor ainda existe, ou é fruto da ilusão?
Será que é fim sem começo, ou apenas começo de algo que não tem fim?
Chegamos ao limite.
Daqui pra frente é atravessar ou ficar...
Acordar ou sonhar.

Friday, September 22, 2006

Distorção

Palavras perdidas
Palavras torcidas
Relevadas
Esquecidas
Feridas...

Depois de tantas viagens
E bilhetes só de ida
De flores mortas e secas
Antigas
Algo se aproxima

Não se sabe ao certo
Não se enxerga o todo
Não sei
Não ouso querer
Não ouso
Não, não...
É perigoso.

Depois de tantas portas
Fechadas
Trancadas
Uma luz na fresta
Parece que se abre
Parece que abre
Parece que...
Apenas uma luz
Apenas luz
Luz

Não ouso olhar
Não ouso
Esperar
Não posso...
Posso apenas sentir...
Sentir o mundo
Sentir um mundo
Nosso...

Mas não ouso
Sonhar
Não posso...
Só respirar
E acalmar
As batidas
Refrear
Expectativas
Lembrar
Sorrir
De forma louca
E esquisita
Parar
E respirar
E gostar
De forma louca
E distorcida.

Tuesday, September 12, 2006

Entonces

Pensei em escrever a história do que se foi
Em busca do que talvez nunca será.
Mas resolvi deixar pra lá...
Deixar que as águas fiquem calmas,
Que os monstros que ali vivem apenas ataquem
Mais incautos e corajosos corações.
Pensei em reescrever as verdades
Mas elas viraram mentiras
Tentei ressuscitar os vivos
Mas eles querem continuar enterrados.
Entonces... Fazer o quê?
Get high...
E que meu amor descanse em paz.

Tuesday, September 05, 2006

Estranho

Uma sensação estranha...
Não sei o que sentir quando me deparo com sua raiva contida
Não tenho o que dizer quando minhas palavras parecem mentiras
Quando tudo parece normal, vem então a explosão.
O tempo passou e o seu amargo não diminuiu.
Suas palavras tentam ferir quando não há mais motivo
E quando sua fúria me atinge
É algo estranho...
Não sei se relevo ou se me engano
Mas parece que qualquer coisa é melhor do que a indiferença
Que seja raiva, que seja mágoa
Que seja...

Monday, September 04, 2006

Contínua

Ela não pára
Só transforma, deforma
Eu dei sinal,
Gritei
Ela não parou.
Quis pular
Alguém segurou.
Olhei ao redor
Quem me salvou?
Foi meu ego,
Sua dor...

E a vida continua,
Atropela, esfola
E eu sigo...
Sem você...
Não páro,
Não posso
Vou em frente
Transformada
E esfolada,
Mais gente.

Monday, August 28, 2006

Nada Não

Gritos em vão
Que só o silêncio pode ouvir
Nada a fazer
É apenas não
E nada pra sobreviver
Fingir...

É apenas vão
E vala pra enterrar
Egos depostos
Ecos engasgados
Revoltados
Expostos

Gritos em vão
E ninguém quer ouvir
Nada a dizer
É apenas solidão
E eternidade pra esquecer
Ferir...

É apenas não
E silêncio pra machucar
É sentimento oposto
É amor vingado
Renegado...

É apenas não
E silêncio pra castigar
Nada a lembrar
Não mais...
Nada a reatar
Não mais...
Dessa vez não
É apenas fim...
Sem mais
Sem perdão.
18.08.06

Thursday, August 17, 2006

Live, Love & Learn - Lesson One

Live, Love & Learn
Lesson one:
A dor se transforma

Abri os olhos sem lágrimas e pude enxergar.
Está tudo tão diferente, mais puro, mais claro.
Acreditei na dor e ela me ensinou.
Fiquei à sua mercê e fui salva por ela.
Tendo arrancado o meu orgulho, e diminuído meu egoísmo, mostrou o que ainda pode ser. Tendo recolhido suas presas, apenas mantém pressão leve pra que eu não me esqueça.
Pra que eu não me esqueça...
O amor cruzou minha vida duas vezes. A paixão tentou imitá-lo em um dia de julho. Quase conseguiu, mas mentes em estações diferentes não se toleram por muito tempo.
Percebi meu erro em julho, um ano depois.
É muito tarde pra existir um amanhã nesse momento, no entanto.
Reencontrei o meu amor e tive que deixá-lo partir.
Olhei nos seus olhos e não achei nada. Ah... e pensar que existia tanta coisa ali!
Mesmo assim, como é bom poder viver pra sentir!
Viver, amar e aprender.
15.08.06

Julho Eterno. Que o Seja Enquanto Dure Este Amor Perdido.

Tuesday, August 15, 2006

Um Dia...

Nada de rimas aqui hoje... Apenas palavras secas e áridas. Apenas a constatação de um erro. Apenas uma confissão. Um pequeno momento de desespero e saudade...
Tem sido difícil levantar da cama e ser perseguida por rosto e nome que de mim não tem lembranças. Um ser que nem acredita, sequer se importa, ou se dá conta de que aqui dentro um buraco se abriu...
EU errei. Eu errei. Eu errei. É tarde pra perdoar porque o esquecimento já fez seu trabalho e novos ares e olhares estão na moda. Eu serei pra sempre menos do que uma lembrança, menos do que um beijo sob estrelas cadentes.
Eu vou ser pra sempre aquela que deixou o amor ir embora sem um beijo de adeus. Aquela que ficou distante, ausente quando um carinho amigo, um telefonema era tudo o que era preciso.
A dor que eu causei só agora tenho consciência, pois ela me faz sofrer o triplo. Essa é a vingança do amor que foi maltratado e abandonado quando as coisas ficaram difíceis e o medo de um futuro incerto se tornou desculpa pra uma traição.
Sempre ri de quem perde a vida por amor. Hoje eu entendo que é possível, sim. Mas aprender sofrendo é o que podia me acontecer de melhor. É o que eu quero acreditar, preciso.
Alguém me disse que só quem já sofreu muito pode desfrutar plenamente da felicidade. Ah! E eu aprendi a amar! Sei que posso tornar alguém feliz ao meu lado, quando essa dor cessar. Um dia ela vai passar, quero acreditar.
Só que isso me parece à milhas de distância, e a cada passo parece que eu ando pra trás e vou de encontro a um passado que não existe mais... Um passado que não quer mais saber de mim e no entanto me tortura a cada dia, e cada lembrança, por mínima que seja, atinge como um soco no estômago, como uma facada no coração.
Eu não aguento mais. Chorar pelos cantos pra ninguém ver, chorar no banho e na minha cama, sufocando os soluços pra ninguém escutar. Tá difícil viver assim.
Vai passar... Vai passar. Vai passar... Eu vou vivendo... Não tenho porque reclamar ou pra quem recorrer, minha culpa não tem voz, meus atos não tem perdão e tudo está tão perdido e é tão tarde, tão tarde... Mas vai passar, vai passar...
De alguma forma.
10.08.06

Monday, August 07, 2006

Agônica Dor Crônica

Lembranças atacam
Por todos os lados
Agonia...
Esperanças deserdam
Todos meus passos
Errada fui
E fria
Em errada hora
E agora?
Cega de dor
Até quando?
Por que tanto
Amor?
Por que agora?
Agonia...
Esse é o preço
Esse é o pranto
E eu não esqueço...
Sua indiferença
Minha sina
Maldita descrença
Que não finda
E eu ainda não posso...
Não posso deixar...
Não posso...
Não quero deixar!
Não consigo...
Lembranças atacam
Dor, dor, dor!
Até quando, amor
Até quando?!
07.08.06

Thursday, August 03, 2006

Fardos & Lanças

Nem se lembra mais do rosto
Que mãos decoraram
Nem se lembra...
Desenho amassado
Matéria aprendida
Passada
Passado

O presente são lembranças
Minhas
Que são lanças e vinganças
Suas
Esse é o preço
É o sangue
Meu
Que escorre em rios
É o sangue
Que escorre no riso
Seu
E eu o mereço

Nem se lembra mais...
Eu fui
Eu era...
O desejo atendido
A coragem premiada
A estrela...
Eu fui
Eu era...
Seu amor
Eu era... sua

O futuro é uma lágrima
Que é fardo
Meu
Que é passado
Seu
03.08.06

Sunday, July 30, 2006

Era Uma Vez

Era uma vez um Amor.
Vieram as estações...
As tentações...
Veio a dor.

Era uma vez dois.
Veio a ignorância...
A mentira...
Veio o fim
E o depois...

Uma história bonita
Que foi destruída,
Perdida...
Esquecida?

Vivendo, aprendendo.
Tarde? Sim...
Muito...

Era uma vez dois.
Agora apenas uma.
Apenas dor.
E esperança,
Nenhuma.
30.07.06

Wednesday, July 19, 2006

Cadente

Eu consegui.
De tanto fugir
De mim,
Eu te perdi.

E a estrela que caiu
E anunciou o começo,
Sou eu agora.
Não mais existo,
Apenas pareço.

Sou um traço brilhante
Desaparecendo,
Morrendo.
Morrendo...

Tuesday, September 20, 2005

A Outra Parte

Pedacinhos de amor,
Carinhos reencontrados
Partes divididas, reunidas.
Caminhos e espaços.
E eu viajo nesse coração.
Nas suas batidas,
Na minha decisão.

Amor...
Eu viajo nesses olhos,
Nesse brilho,
Nessas estrelas...
Tão minhas
Pedacinhos... de mim.
Nesses dias de lua e de sol,
Nessas tradições sem fim,
Eu viajei e busquei.
Assim fui, em noites escuras.
Esbarrando em pessoas
Sem prestar atenção,
Sem noção,
Sem hora,
Senhora de mim.
Mas hoje você foi meus olhos
E eu vi a luz,
Com suas mãos o céu toquei
E antes cedo do que tarde,
Desafiei covardemente o medo
E você encontrou sua outra parte.
ImmX, Ago 05

Tuesday, August 30, 2005

Então

É...
E então...
Você e eu...
A situação não nos favorece
Não sou dona do meu coração
Não sou dona do seu coração
Se fosse não existiria mais o amor
O seu amor
O seu amor...
O meu amor...
Não existiriam lágrimas
Não haveria confusão
É...
E então...
Você e eu...
A situação...
Se eu fosse...
Não existiria a dor
A sua dor
O meu amor
Mas...
Então...
Você e eu
Você e eu...
Você... e eu...
Não.

ImmX, dia 25 ou 26 de agosto, não lembro...

Tuesday, August 23, 2005

Em Qual Rua?

Marcas de punhos na parede
Na testa, galos
Nervoso
Marcas de lábios na mão
Na testa, beijos
Nervoso
O gesto delicado
Os desesperos
Sim, sim
As vontades
As realidades
Nãos, Nãos
As marcas, as cicatrizes
As horas felizes
Deslizes de mãos
Felizes
Cicatrizes...
"Não consigo tirar meus olhos de você"
Os olhos da boca
As mãos do rosto
Belezas
Sorrisos
Tristezas
Não consigo...
Não comigo
Não contigo
Não consigo

"Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na tua"
"Immortal X" em 20.08.05

Tuesday, August 16, 2005

Borboletas

Borboletas
O passado morto
E no presente...
Borboletas
Em momentos rebobinados sem cessar,
Em olhares de tantas palavras escondidas
Tantas lágrimas de lembranças confundidas.
O futuro não assusta,
É o medo maior do agora que se estende,
Que se afunda
Nas vozes de sonhos,
Nas manhãs de nós, de brigas,
De cheiros e toques de vida.
Borboletas.
Em beijos outros toques de mãos,
Olhares,
Confusão.
Borboletas.
E o que sobrou de tudo?
Um nada infinito, finito?
Borboletas...
Nascidas no inverno de amar,
Procurando volta num inferno de tentar...
Borboletas em caminhos errados...
E na hora errada
A pessoa certa
Perfeita...
Na hora errada...
Errada...
Em lágrimas, vou destruindo todas,
Cortando suas asas...
Deixando-as indefesas.
...nossas emoções
...nossa sorte torta
...fora de hora...?
...nossas borboletas, amor...
Mortas, mortas...
ImmX

Tuesday, August 09, 2005

Mais


Mais
Muito mais do que minutos
Do que rápidos beijos
Do que toques, sobrancelhas
E olhares
Do que cheiros, desejos e arrepios
Mais, muito mais do que suspiros
Do que olhos úmidos
Do que sopros, do que línguas
E lábios
Eles continuam o que não deveriam ter começado
Ele a esconde no espaço das cordas do violão
Ela desempenha seu papel de musa imortal
Ele a quer demais
"e se ele, de repente..."
Quando se gosta...
E se sente
Quando é forte
Quando é quente
Quando arde...
Se quer mais, mais
E agora é tarde,
Ela quer,
Demais.
ImmX

Tuesday, August 02, 2005

Mais Uma Vez

Mais uma vez

Ela olha do lado...
Só, mais uma vez,
Mais uma noite...
Pensamentos incoerentes,
Vontades diferentes.
Mais uma vez,
Mais uma noite...
O telefone e agenda.
Uma voz que seduz.
Algo novo, algo velho,
A oportunidade, a luz.
Mais uma vez,
Mais uma noite...
O velho estranho desejo.
O novo e incauto ensejo.
A dúvida, o sim e o não.
Mais uma vez,
Mais uma noite...
Confusão.
Immortal X em 31/07/05

Wednesday, July 27, 2005

Poetar

Poetar

Olhares alheios,
Mãos e dedos...
Desejos de bocas,
De vodkas e beijos.

Poetar é escrever conexões.

Carinhos de papel,
Frases de plástico.
Toques de sabão,
Afetos elásticos.

É tirar retratos,
Raios X da alma,
Do que se ama,
Do que faz falta.

É traduzir sons mudos
E inércias em movimento.
Criando do incerto,
Óbvios sentimentos.

Poetar é enxergar o belo em cada gota de sangue.
Auscultar medos crônicos e anacrônicos
Enfaixando perguntas expostas sem respostas.

É...
Na histeria das dores do mundo,
Poetar é curar.
ImmX, 21.07.05

Wednesday, July 20, 2005

Fuga

FUGA
E então você acordou.
É estranho...
A lógica parece diferente, mas eles não.
-Os sentimentos abafados-
Você olha ao redor.
Tudo é dolorosamente familiar...
Vê suas ânsias oníricas abocanhadas -e mais uma vez- a verdade é cuspida:
Ao seu redor existe tudo, menos o desejo de estar.
-Pecados e escravos-
Você fecha os olhos num suspiro .
Dói demais...
Ver sonhos construídos, novamente arruinados por elas.
-As oportunidades paralíticas e as saudades órfãs-
Você tenta relevar e levantar.
Sobreviver...
Como se fosse possível esquecer aquele sonho...
Como se fosse possível terminar aquela estória sem começo...
É possível esquecer a paralisia daquelas mãos?
Fatos entalhados.
Perguntas encalhadas.
No solo da consciência ficou a vontade enterrada.
Num beijo proibido, a verdade do que nunca aconteceu.
Você não tentou. Você fingiu não entender o óbvio.
E agora, quais as opções?
Esquecer ou tornar a sonhar?
Levantar e encarar os frutos rotos daquelas sementes acanhadas?
Não, hoje não. Talvez amanhã.
Você fecha os olhos.
Talvez os sonhos voltem.
Quem sabe as coisas não mudam?
Quem sabe ela ainda...?
Quem sabe...
E então, você dormiu.
Immortal X, 19.07.05